“A infraestrutura de Mato Grosso não acompanhou o mesmo ritmo da produção agrícola.”
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A logística de Mato Grosso é um dos principais gargalos do agronegócio, o que eleva os custos de produção e frete. Um conjunto de fatores estruturais e geográficos encarecem e dificultam o escoamento da nossa produção.
O primeiro deles é a distância dos portos. A soja, o milho, o algodão percorrem cerca de 1.500 a 2.000 km até chegar ao litoral.
Ao lado disso, existe uma dependência do transporte rodoviário, onde mais de 70% da produção é transportada por caminhões, que enfrentam congestionamentos, pedágios e filas na época da safra.
A malha ferroviária ainda não cobre adequadamente o Estado, que poderia reduzir o tempo e o frete em 40%.
A Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo que está sendo construída pela concessionária RUMO está em andamento, no trecho Rondonópolis – Lucas do Rio Verde. E aguardando a autorização da Licença de Instalação (LI) para Cuiabá.
Já a Ferrogrão (entre Sinop – Miritituba) está paralisada desde 2017, período em que o Governo Federal aprovou Medida Provisória (MP) convertida em Lei que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a passagem da ferrovia.
Por decisão do Ministro Alexandre de Moraes, as análises ambientais e sociais foram suspensas atendendo um pedido do partido PSOL.
Mais recentemente, o TCU recomendou a suspensão do projeto Ferrogrão, apontando a necessidade de mais audiências públicas e maior debate sobre o projeto.
Ou seja, a infraestrutura de Mato Grosso não acompanhou o mesmo ritmo da produção agrícola.
Precisamos reverter esse panorama logístico.
Por Vicente Vuolo, economista e cientista político

